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Frutos, legumes e Inteligência Artificial: a revolução está a chegar

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Autora do artigo: Sara Sousa, Agroop

 Blockchain, tecnologia de visão, Inteligência Artificial – a tecnologia vai invadir o setor dos frutos e legumes frescos. Quem o prevê é a Fruitlogistica, no seu último relatório de tendências para o setor.O documento, “Disruption in Fruit and Vegetable Distribution,” prevê que as cadeias de distribuição de hortofrutícolas frescos mudem, essencialmente, em quatro aspetos: rapidez, flexibilidade, precisão e transparência. Uma revolução que só poderá acontecer com a ajuda das novas tecnologias.Tudo para responder a um mercado em revolução, cada vez mais globalizado, interligado e populado por consumidores exigentes.

 

Mais rapidez para dar resposta aos consumidores

Os consumidores de hoje em dia pedem muito mais: não só procuram frutas e legumes de alta qualidade, orgânicos e sustentáveis, como querem obtê-los rapidamente. Assim, é necessário que os agentes da indústria se organizem para criar cadeias de distribuição mais rápidas, garantindo a frescura e rapidez exigida pelo mercado.

Já existem agentes no mercado a liderar a revolução, como a Amazon Fresh, um serviço online que permite encomendar frutos e legumes frescos para entrega no mesmo dia. “Se os outros membros da indústria vão aceitar o desafio que isto representa, terão que ser melhores a gerir a cadeia de distribuição, … otimizando-a e eliminando ineficiências,” aconselham os autores do relatório.A colaboração entre intervenientes no setor também é essencial para tornar as cadeias de distribuição mais rápidas. A colaboração, conseguida com parcerias estratégicas, tornaria possível que os diferentes agentes tornassem a cadeia mais eficiente.

 

Apostar nas novas tecnologias para maior precisão

Para a Fruitlogistica, as cadeias de distribuição também terão que se tornar mais precisas. Uma das formas principais de essa mudança se concretizar será através da previsão e da automação, possibilitadas pelas novas tecnologias.A análise preditiva, associada à capacidade de prever (e responder) a problemas que possam afetar o fornecimento, será uma grande aposta. “As empresas terão que fazer uso de sistemas e ferramentas avançados para fazer previsões, como aprendizagem automática (machine learning) e Inteligência Artificial que consiga melhorar a reposição automática de stocks.”

Outra tecnologia que já começa a ser utilizada é o reconhecimento por imagem. Isto é, sistemas que analisam a qualidade da fruta ou dos legumes com recurso a tecnologia de visão, algo que já é feito com peras e maçãs. No futuro, diz a Fruitlogistica, este tipo de tecnologia estender-se-á também aos armazéns, permitindo otimizar as operações a este nível.

 

inteligencia artificial

 

Mais transparência com ajuda da blockchain

Para os autores do relatório, “o desafio mais crítico para a cadeia de distribuição de legumes e frutos frescos é a sua falta inerente de transparência,” resultante da inexistência de informação analítica suficiente e de um nível alto de “intervenção manual e papelada.”A blockchain é apontada como uma solução provável para este problema. Esta tecnologia consiste num “sistema de informação altamente descentralizado e inerentemente seguro.”

Um elemento da blockchain (por exemplo, um produtor) regista informação (como as condições da colheita de uma cultura), que é encriptada e marcada com data e hora. Este é um bloco de informação. O próximo elemento pode consultar a informação e acrescentar outro bloco, e assim sucessivamente. Assim, cria-se uma corrente cronológica de informação transparente e segura, disponível na cloud.

Tal permite que a origem de um produto, um lote danificado ou as condições de cultivo de uma cultura sejam consultados com facilidade por qualquer membro da blockchain.Grandes retalhistas como o Walmart e o Carrefour já declararam a intenção de aplicar esta tecnologia aos seus processos.

Garantir a continuidade do fornecimento com mais flexibilidade

 “Aumentar a flexibilidade da cadeia de distribuição tem como objetivo garantir a continuidade do fornecimento,” defendem os autores. O que acontece é que a cadeia é muitas vezes interrompida – por exemplo, devido a tempo desfavorável ou a pragas – mas os consumidores cada vez toleram menos interrupções no fornecimento de frutos e legumes. Daí a necessidade de aumentar a flexibilidade das cadeias de distribuição destes produtos.

“No futuro, faltas de stock causadas pela meteorologia deixarão de ser aceitáveis. Os clientes vão optar por fornecedores que possam oferecer hortofrutícolas quando e onde for pedido, mantendo ao mesmo tempo a sustentabilidade e autenticidade exigida pelos consumidores.”

Os sistemas de análises de dados são essenciais neste aspeto, pois, ao permitirem “prever a procura e variações no fornecimento,” darão aos tomadores de decisão o tempo necessário para tomar ações corretivas para evitar problemas no fornecimento.

O futuro está à porta, e os intervenientes do mercado dos hortofrutícolas frescos terão que se adaptar se quiserem manter-se a par da competição.

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