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O que é a correção do solo e como afeta a produção

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Um solo fértil e equilibrado é o coração de qualquer horta ou exploração agrícola produtiva. No entanto, com o passar do tempo, é natural que os solos se desgastem, percam nutrientes ou se tornem ácidos ou alcalinos em demasia, comprometendo o crescimento das plantas.
É aqui que entra a correção do solo -um processo essencial para devolver vitalidade à terra e garantir que as plantas consigam aproveitar ao máximo os nutrientes disponíveis.

Neste artigo, vamos explicar o que é a correção do solo, porque é necessária, como é feita e de que forma influencia diretamente a produtividade e a saúde das plantas.

O que é a correção do solo?

A correção do solo é o conjunto de práticas e intervenções destinadas a ajustar as propriedades químicas, físicas e biológicas do solo, de forma a criar condições ideais para o desenvolvimento das plantas.

Na prática, significa melhorar o ambiente onde as raízes crescem, equilibrando fatores como o pH, a fertilidade, a estrutura e a disponibilidade de nutrientes.

Podemos dizer que a correção do solo é o equivalente a “regular o metabolismo da terra” – uma espécie de terapia de equilíbrio que devolve força, estrutura e saúde ao sistema.

Porque é importante corrigir o solo?

Mesmo os solos mais férteis precisam, de tempos a tempos, de ser corrigidos. A razão é simples: as plantas retiram nutrientes continuamente, e a água da chuva, a erosão ou a própria atividade microbiana também alteram as propriedades químicas do solo.

Com o tempo, o solo pode:

  • Tornar-se ácido (baixo pH), reduzindo a disponibilidade de cálcio, magnésio e fósforo;
  • Tornar-se alcalino (pH alto), bloqueando o ferro, o zinco e outros micronutrientes;
  • Perder estrutura, tornando-se compacto e pouco arejado;
  • Sofrer desequilíbrios biológicos, com redução da atividade de microrganismos benéficos.

Um solo desequilibrado traduz-se em plantas fracas, raízes superficiais e menor resistência a pragas e doenças.
Em contrapartida, um solo corrigido e equilibrado aumenta a produtividade, melhora a qualidade dos frutos e reduz a necessidade de fertilizantes químicos.

O papel do pH na correção do solo

O pH do solo é um dos principais indicadores de saúde e equilíbrio químico. Mede-se numa escala de 0 a 14:

  • pH abaixo de 6 → solo ácido;
  • pH entre 6 e 7,5 → solo ideal para a maioria das culturas;
  • pH acima de 8 → solo alcalino.

O pH influencia diretamente a disponibilidade dos nutrientes. Mesmo que o solo tenha todos os elementos necessários, se o pH estiver fora do intervalo ideal, as plantas não os conseguem absorver.

Por exemplo:

  • Num solo ácido, o fósforo e o molibdénio ficam “presos”, tornando-se indisponíveis para as raízes.
  • Num solo alcalino, o ferro e o manganês ficam bloqueados, provocando clorose (amarelecimento das folhas).

A correção do solo, portanto, começa quase sempre por ajustar o pH — e isso faz-se através da calagem ou da aplicação de materiais corretivos específicos.

O primeiro passo: analisar o solo

Antes de qualquer correção, é fundamental fazer uma análise de solo.
Este é o ponto de partida para um cultivo inteligente e sustentável.

A análise permite saber:

  • O pH atual;
  • O teor de matéria orgânica;
  • As quantidades de nutrientes disponíveis (azoto, fósforo, potássio, cálcio, magnésio, etc.);
  • A capacidade de troca catiónica (CTC), que indica a capacidade do solo reter nutrientes.

Com estes dados, é possível decidir que tipo de corretivo aplicar, em que quantidade e com que frequência.
Tentar corrigir o solo sem análise é como medicar alguém sem diagnóstico — pode resultar por sorte, mas também pode piorar o problema.

💡 Dica: em Portugal, pode pedir análises de solo a laboratórios agrícolas, cooperativas ou serviços regionais do Ministério da Agricultura. O custo é reduzido e o impacto nos resultados é enorme.

Tipos de correção do solo

A correção do solo pode ser feita de várias formas, consoante o problema identificado. De um modo geral, existem três grandes tipos de correção: química, física e biológica.

1-Correção química: equilibrar o pH e os nutrientes

A correção química foca-se no ajuste do pH e na reposição de minerais essenciais.
É o tipo mais conhecido e envolve o uso de produtos como:

Calagem

Consiste na aplicação de calcário agrícola (carbonato de cálcio e magnésio) para reduzir a acidez do solo e fornecer cálcio e magnésio.
É indicada quando o pH está abaixo de 6.
O calcário deve ser incorporado no solo (10 a 20 cm de profundidade) alguns meses antes da plantação.

Conhece o carbonato de cálcio da Biocal.

Carbonato de cálcio da Biocal

Este corretivo agrícola mineral, feito a partir de carbonato de cálcio, permite uma eficaz correção do pH do solo, quando este se encontra excessivamente ácido. O cálcio é um macronutriente essencial para o bom desenvolvimento das culturas.

Também há ainda a opção do corretivo agrícola alcalinizante magnesiano da Biocal.

Corretivo agrícola alcalinizante magnesiano da Biocal.

Este corretivo agrícola mineral, feito a partir da composição de minerais, permite uma eficaz correção do pH do solo, quando este se encontra excessivamente ácido. O cálcio e o magnésio presentes neste produto são dois macronutrientes essenciais para o bom desenvolvimento das culturas.

Gesso agrícola

Usado para melhorar solos com excesso de alumínio e aumentar a penetração das raízes.
O gesso fornece cálcio e enxofre, sem alterar o pH de forma significativa.

Enxofre elementar ou sulfatos

Quando o solo é alcalino (pH alto), usa-se enxofre para acidificar e equilibrar o meio.
Este processo é mais lento e deve ser controlado com análises periódicas.

Micronutrientes

Em certos casos, é necessário adicionar micronutrientes (como ferro, zinco ou boro), especialmente em solos arenosos ou intensivamente cultivados.

2-Correção física: melhorar a estrutura e a drenagem

Mesmo um solo quimicamente equilibrado pode ser pouco produtivo se for compactado, pesado ou pobre em matéria orgânica.
A correção física visa melhorar a estrutura, a porosidade e a retenção de água.

Principais práticas:

  • Incorporação de matéria orgânica (composto, estrume bem curtido, húmus de minhoca ou restos vegetais);
  • Mobilização profunda (lavoura ou subsolagem, em casos agrícolas);
  • Cobertura do solo (mulching) para proteger contra erosão e perda de humidade;
  • Uso de substratos leves (como fibra de coco ou perlite) em hortas urbanas e vasos.

Estas práticas tornam o solo mais solto, favorecem a respiração das raízes e aumentam a infiltração da água, evitando encharcamentos e erosão.

Mulching

3-Correção biológica: revitalizar a vida do solo

O solo é um organismo vivo — contém microrganismos, fungos e bactérias que ajudam na decomposição da matéria orgânica e libertam nutrientes.
A correção biológica procura estimular essa vida subterrânea, fundamental para o equilíbrio e a fertilidade natural.

Estratégias biológicas:

  • Adicionar biofertilizantes (como chorumes, lixiviados de composto ou extratos fermentados);
  • Incorporar microrganismos benéficos (por exemplo, micorrizas ou bactérias fixadoras de azoto);
  • Manter o solo sempre coberto com palha ou plantas de cobertura, para proteger e alimentar a microbiota.

Um solo biologicamente ativo transforma nutrientes minerais em formas disponíveis e reduz a necessidade de correções químicas frequentes.

Como a correção do solo afeta a produção

A diferença entre um solo corrigido e um solo negligenciado é evidente a olho nu.
Quando o solo é equilibrado, as plantas mostram crescimento vigoroso, folhas verdes, flores abundantes e frutos de qualidade.

Vamos ver como isso acontece:

1. Maior absorção de nutrientes

Um pH equilibrado e uma boa estrutura permitem que as raízes absorvam todos os nutrientes de forma eficiente, reduzindo carências nutricionais.

2. Raízes mais profundas e resistentes

Num solo solto e bem corrigido, as raízes conseguem penetrar melhor, explorar mais volume de terra e resistir a períodos de seca.

3. Melhoria na retenção e drenagem da água

A correção física e biológica melhora o equilíbrio entre humidade e drenagem, evitando tanto o encharcamento como o ressequimento excessivo.

4. Aumento da produtividade e da qualidade

As plantas corrigidas produzem mais e melhor: frutos mais doces, folhas mais aromáticas e flores mais coloridas.
Isto deve-se ao equilíbrio entre nutrientes e à redução de stress fisiológico.

5. Maior resistência a pragas e doenças

Plantas bem nutridas e com raízes saudáveis são naturalmente mais resistentes a fungos, insetos e vírus.
Além disso, a microbiota ativa do solo ajuda a travar o desenvolvimento de agentes patogénicos.

Quando e com que frequência corrigir o solo?

A correção do solo não é um processo único, mas sim uma prática de manutenção.
Em hortas domésticas ou pequenas explorações, recomenda-se:

  • Fazer análises de solo de 2 em 2 anos;
  • Aplicar corretivos (como calcário ou composto) antes de cada época de cultivo principal;
  • Incorporar matéria orgânica todos os anos, especialmente após culturas exigentes (tomate, couves, etc.);
  • Renovar o substrato em vasos ou floreiras a cada 6 a 12 meses.

Em solos agrícolas, as correções são planeadas de forma mais técnica e podem ser ajustadas conforme o tipo de cultura e intensidade de produção.

Sustentabilidade: corrigir o solo é cuidar do futuro

Corrigir o solo é também um ato de respeito pela natureza.
Quando restauramos o equilíbrio químico e biológico da terra, reduzimos a dependência de adubos químicos, melhoramos a retenção de carbono e promovemos um ecossistema mais saudável.

Um solo bem cuidado é mais do que um suporte para as plantas — é um organismo vivo, que respira, transforma e alimenta.
Corrigir o solo é, por isso, uma forma de regenerar a base de toda a vida agrícola.

Em suma…

A correção do solo é uma etapa essencial para garantir uma agricultura produtiva, saudável e sustentável.
Sem ela, qualquer esforço com adubos, regas ou variedades melhoradas perde eficácia.

Ao compreender o estado do seu solo, ajustar o pH, repor nutrientes e estimular a vida microbiana, está a construir as fundações de uma horta ou exploração agrícola equilibrada e fértil.

Artigo patrocinado pela Biocal*

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