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Estrume na horta: guia completo para iniciantes sobre como usar, quando aplicar e evitar erros

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Quando começamos uma horta, uma das primeiras preocupações é garantir que o solo tem nutrientes suficientes para as plantas crescerem fortes e saudáveis. É neste contexto que o estrume surge quase sempre como uma recomendação clássica. É natural, é antigo, é eficaz e, quando bem utilizado, pode transformar completamente a fertilidade do solo. No entanto, o estrume não é um produto inocente nem universal, e o seu uso incorreto é uma das principais causas de problemas em hortas domésticas.

Neste artigo vamos explorar de forma completa e prática o uso do estrume na horta: o que é, que tipos existem, quais os seus benefícios reais, como o curtir corretamente, quando e como aplicar, que quantidades usar e que alternativas existem para quem procura soluções mais práticas e seguras.

O que é o estrume e qual o seu papel no solo

O estrume é um fertilizante orgânico de origem animal, geralmente composto por dejetos (fezes e urina) misturados com materiais vegetais como palha, feno ou aparas de madeira. O seu verdadeiro valor não está apenas nos nutrientes que fornece, mas sobretudo na matéria orgânica que adiciona ao solo.

A matéria orgânica é a base de um solo fértil. Melhora a estrutura, aumenta a capacidade de retenção de água, facilita o arejamento, alimenta os microrganismos do solo e contribui para a disponibilização gradual de nutrientes. Um solo rico em matéria orgânica é mais resiliente, mais fácil de trabalhar e mais produtivo a longo prazo.

Para quem está a iniciar uma horta, compreender isto é fundamental: o estrume não serve apenas para “alimentar plantas”, serve sobretudo para construir solo.

Benefícios do estrume na horta doméstica

Quando bem curtido e corretamente aplicado, o estrume traz múltiplos benefícios. Em primeiro lugar, melhora a estrutura do solo, tornando solos arenosos mais capazes de reter água e solos argilosos mais soltos e drenados. Isto cria um ambiente muito mais favorável ao desenvolvimento das raízes.

Em segundo lugar, fornece nutrientes essenciais como azoto, fósforo e potássio, bem como micronutrientes, de forma lenta e contínua. Esta libertação gradual reduz o risco de excessos e queimaduras, algo especialmente importante para iniciantes.

Outro benefício essencial é o estímulo da vida microbiana. Os microrganismos do solo são responsáveis por transformar a matéria orgânica em nutrientes disponíveis para as plantas, protegê-las contra doenças e melhorar a eficiência da fertilização. Um solo vivo é um solo saudável.

Além disso, o estrume ajuda a reter humidade, reduz a erosão, protege a superfície do solo e pode ser usado como cobertura, ajudando no controlo de ervas daninhas.

Tipos de estrume mais comuns e quando usar cada um

Nem todos os estrumes são iguais, e esta distinção é particularmente importante para quem está a aprender.

O estrume de vaca é um dos mais equilibrados e seguros. Tem uma concentração moderada de nutrientes e é adequado para quase todas as culturas. É uma excelente escolha para iniciantes, desde que esteja bem curtido.

O estrume de galinha é muito rico em nutrientes, sobretudo em azoto. É extremamente eficaz, mas também mais arriscado. Deve ser sempre bem compostado e aplicado em pequenas quantidades, sendo mais indicado para hortícolas de folha.

O estrume de cavalo é mais fibroso, o que o torna excelente para melhorar a estrutura de solos compactados. No entanto, pode conter sementes de ervas daninhas se não for bem curtido.

O estrume de coelho e o estrume de caprinos são mais secos, fáceis de manusear e relativamente equilibrados. São muito interessantes para hortas pequenas e para quem procura uma aplicação mais controlada.

Independentemente do tipo, há uma regra que nunca muda: o estrume deve estar sempre bem curtido.

Porque nunca deve usar estrume fresco

Aplicar estrume fresco é um dos erros mais comuns e mais graves na horta doméstica. O estrume fresco pode conter agentes patogénicos perigosos, sobretudo em culturas consumidas cruas. Pode também libertar grandes quantidades de azoto de forma rápida, queimando raízes e folhas.

Além disso, o estrume fresco pode introduzir sementes de ervas daninhas no solo e provocar desequilíbrios nutricionais que levam a plantas muito verdes, mas pouco produtivas.

O estrume deve passar por um processo de curtimento ou compostagem, que estabiliza os nutrientes, elimina patogénicos e transforma o material num corretor de solo seguro e eficaz.

Como curtir estrume de forma simples

O processo de curtimento consiste em permitir que microrganismos decomponham o estrume em condições controladas. Para isso, deve armazenar o estrume num local afastado de linhas de água e misturá-lo com materiais ricos em carbono, como palha, folhas secas ou serrim, numa proporção aproximada de 1 parte de estrume para 3 partes de material vegetal.

A pilha deve ser revolvida periodicamente para garantir oxigenação e acelerar a decomposição. Ao fim de algumas semanas ou meses, o estrume perde o cheiro intenso, fica mais seco, escuro e com aspeto semelhante a terra. Quando chega a este ponto, está pronto a usar.

Como aplicar estrume na horta passo a passo

A forma mais segura de aplicar estrume é antes da plantação. Espalhe o estrume curtido sobre o solo e incorpore-o nos primeiros 15 a 20 centímetros. Idealmente, esta aplicação deve ser feita 2 a 3 semanas antes de plantar, permitindo que o solo estabilize.

Outra opção é usar o estrume como cobertura, aplicando uma camada fina à volta das plantas, sem tocar nos caules. Esta técnica ajuda a manter a humidade, proteger o solo e libertar nutrientes gradualmente.

Para iniciantes, uma aplicação anual é geralmente suficiente.

Quantidades recomendadas e cuidados a ter

Como regra geral, podem aplicar-se cerca de 2 a 4 kg de estrume curtido por metro quadrado, dependendo do tipo de solo e das culturas. Mais não significa melhor. O excesso de estrume pode causar desequilíbrios nutricionais, lixiviação de nutrientes e problemas ambientais.

É importante observar as plantas. Crescimento excessivo de folhas, folhas queimadas ou fraca floração são sinais de excesso de azoto.

Sempre que possível, uma análise de solo ajuda a ajustar melhor as quantidades.

Alternativas ao estrume tradicional para iniciantes

Nem todos têm acesso fácil a estrume de qualidade ou espaço para o curtir. Nestes casos, os fertilizantes orgânicos estabilizados são uma excelente alternativa.

O Fertimax da Nutrofertil é um exemplo de fertilizante orgânico que oferece muitos dos benefícios do estrume, mas com maior controlo e segurança. Por ser estabilizado, é mais fácil de aplicar, apresenta menos odores e reduz significativamente o risco de patogénicos e sementes de infestantes. Para iniciantes, pode ser uma solução prática para melhorar a fertilidade do solo sem complicações.

Além do estrume, outro produto orgânico muito interessante para a horta é o Húmus da Nutrofertil. Trata-se de um composto orgânico de alta qualidade, rico em matéria orgânica humificada com grau V de estabilidade, resultante de 34% de estrumes (ovelha e cavalo) e 66% de resíduos vegetais. O Húmus da Nutrofertil repõe imediatamente a matéria orgânica do solo, restituindo-lhe as suas qualidades agronómicas, regula o pH e melhora a estrutura do solo. Para iniciantes, é uma solução prática e segura: promove o desenvolvimento das raízes, estimula a atividade microbiana e cria um solo mais solto, fértil e capaz de reter água e nutrientes desde os primeiros dias da plantação.

Em suma… estrume é uma ferramenta poderosa, quando bem usada

O estrume continua a ser um dos melhores aliados da horta, mas exige conhecimento, paciência e moderação. Para quem está a começar, o mais importante é compreender que a fertilidade do solo constrói-se ao longo do tempo e que a saúde das plantas começa debaixo da terra.

Usar estrume bem curtido, respeitar as quantidades e observar o comportamento das plantas são passos essenciais para uma horta produtiva, segura e sustentável.

estrumes

🌱 E tu?
Já usaste estrume na tua horta ou ainda tens dúvidas sobre como começar? Conta-me nos comentários.

A Cientista Agrícola

Este artigo foi escrito com o apoio da Nutrofertil*

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