Fonte: Agricultura e Mar

A direcção da CNA – Confederação Nacional da Agricultura considera que o Governo deveria controlar o preço do gasóleo agrícola e diz que o Orçamento do Estado para 2022 “é um cabaz cheio de nada para a Agricultura”. A posição foi tomada hoje, 24 de Maio, em conferência de imprensa em frente à Assembleia da República, em Lisboa, para apresentar o seu posicionamento relativamente ao Orçamento do Estado para 2022.

“No gasóleo agrícola os preços continuam a aumentar e as medidas de apoio são, neste momento, manifestamente insuficientes. Assistimos a situações de profunda discriminação em que é anunciada a baixa de preços dos combustíveis, mas para produzir alimentos, o que houve foi um aumento de 3 a 4 cêntimos. Exige-se o controlo dos preços por parte do Governo”, diz a Confederação.

Segundo a CNA, “a escalada dos preços dos restantes combustíveis, da energia, das sementes, dos pesticidas, das rações, dos fertilizantes, dos plásticos, da maquinaria e peças e de outros factores de produção que fazem disparar as despesas da Agricultura Familiar não é acompanhada por um aumento compensador do preço pago à produção”.

E alerta que “a diferença entre o preço pago por um consumidor e o preço pago ao produtor chega, em alguns casos, a 600%… Afinal, quem é que fica com a fatia de leão? Todos sabemos, os grandes intermediários, a grande distribuição”.

“Não nos esquecemos que, neste período, enquanto os custos dos factores de produção aumentam 200% ou 300% e os agricultores penam, as grandes empresas da distribuição e comercialização aumentam exponencialmente os seus lucros. A título de exemplo, foi notícia que uma grande empresa multinacional do sector registou um aumento de 63% dos lucros em 2021, o que corresponde ao maior crescimento de receitas da sua história”, realça a Confederação.

“Não há dinheiro novo a chegar às explorações”

E salienta que, para os agricultores, nesta situação de crise, “o Governo e o Ministério da Agricultura, como já é tradição, anunciam milhões e milhões. Mas nós, nem vê-los. Desde o início do ano apenas contamos com derrogações, linhas de crédito – para acentuar o nosso endividamento – e antecipação de ajudas da PAC que já contávamos receber. (…) não há dinheiro novo a chegar às explorações”.

Ainda segundo a direcção da CNA, “são gravíssimos os problemas que, todos os dias, se abatem sobre a Agricultura Familiar e a produção nacional. Agudiza-se a situação financeira das explorações agrícolas, já muito debilitadas na sequência da pandemia de Covid-19, da seca (situação que se tem vindo a agravar), dos prejuízos com javalis e outros animais selvagens, da guerra e das sanções económicas”.

Para a direcção da CNA “é importante canalizar verbas do Orçamento do Estado para a concretização do Estatuto da Agricultura Familiar, para o apoio aos circuitos curtos de comercialização, para o apoio ao gasóleo agrícola e a concretização da electricidade verde (que já devia estar em vigor desde 1 de Janeiro de 2022), para mais e melhores escolas, serviços de saúde e transportes no Mundo Rural”.