Fonte do artigo: Agricultura e Mar

A CNA – Confederação Nacional da Agricultura, numa primeira análise aos resultados preliminares do Recenseamento Agrícola 2019, divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) a 18 de Dezembro, “assinala com preocupação o encerramento de 15,5 mil explorações agrícolas nos últimos dez anos, quebra registada, sobretudo, entre os pequenos e médios agricultores, a agricultura familiar”.

Em comunicado, diz a Confederação que, ao mesmo tempo, “aumentou a dimensão média das explorações e o número de grandes explorações. Na produção pecuária de bovinos, praticamente um terço do efectivo está concentrado em apenas 2% de explorações com mais de 300 animais”.

O aumento de dois anos na idade média dos produtores singulares, para 62 anos, e o facto de mais de metade dos agricultores terem mais de 64 anos revela a “ineficácia das políticas com vista ao rejuvenescimento do tecido agrícola”.

“Como a CNA tem alertado, as medidas para instalação de jovens agricultores têm critérios de elegibilidade e tipologias de apoio desajustados, levando muitos jovens a não apresentar candidaturas ou a abandonar a actividade após os cinco anos obrigatórios de compromisso. Falta também uma estratégia de desenvolvimento que passe pela reabertura e criação de serviços públicos para fixar as populações mais jovens nos territórios e, sobretudo, condições para escoamento da produção a preços compensadores”, realça o mesmo comunicado.

Decréscimo de 32% nas áreas de cereais para grão

Outro dado preocupante para a Confederação é o decréscimo de 32% nas áreas de cereais para grão, que “vem comprometer ainda mais o decrescente grau de auto-aprovisionamento do País em cereais, fazendo aumentar a nossa dependência do exterior numa produção que deveria ser estratégica para a soberania alimentar de Portugal”.

Perante os dados divulgados, a CNA “poderia dizer que gostaria de não ter razão. Mas, face ao que temos assistido, e denunciado, os resultados não poderiam ser outros. Focar as políticas nacionais, alinhadas com as orientações de Bruxelas, apenas numa agricultura de grande dimensão com capacidade e vocação exportadora, esquecendo a importância estratégica da agricultura familiar para a produção nacional, é um erro com impactos negativos no País”.

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