A cultura da oliveira tem futuro?

Nos últimos anos, a oliveira têm tido uma presença muito significativa como cultura frutícola perene reforçando o crescimento da produção de azeite e azeite nacional, quer como ornamental marcando presença em jardins privados e espaços públicos.

De facto, a procura por oliveiras para ornamentar quer para produzir azeitona e azeite têm sido cada vez mais evidentes quer pela rusticidade da cultura quer pela sua boa adaptação. Além de ser uma árvore extremamente bonita (daí ser também ornamental), a oliveira possuí frutos -as azeitonas, que depois de previamente tratadas, são um alimento extremamente nutritivo, saboroso e muito apreciado em petiscos pela generalidade das pessoas.

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Por outro lado, a olivicultura, como atividade mais profissional e também em crescendo necessita que sejam garantidos alguns requisitos essenciais para o sucesso, entre eles: (1)a utilização de mão de obra especializada e em grande número, (2) que a poda seja realizada corretamente pois é das operações culturais mais importantes e que pode influenciar o potencial produtivo da cultura, (3) como árvore milenar, é conhecida como um símbolo de paz, prosperidade , fraternidade e saúde, (4) é uma cultura que funciona como um elo de ligação entre outras culturas, (5) devido à sua grande longevidade, é uma cultura que tem a capacidade de formar rebentos na base originando uma nova árvore.

Neste artigo, irei fazer uma pequena abordagem à cultura da oliveira, abordando aspectos como a caracterização da espécie, situação da produção em Portugal, exigências edáficas e climáticas, sistema e forma de condução, instalação/plantação, manutenção, principais problemas fitossanitários, colheita e algumas considerações finais sobre a cultura do olival.

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Saiba mais sobre a caracterização da cultura da oliveira

A oliveira cujo nome científico é Olea europaea L., pertence à família das Oleáceas, sub-família Oleoideas e género Olea.

É importante ter em conta também que a oliveira é uma árvore polimórfica, ou seja, tem duas fases de desenvolvimento -a fase juvenil e a fase adulta.

Relativamente ao seu crescimento, este caracteriza-se por ser lento e com uma grande longevidade.  O porte de uma oliveira pode atingir cerca de 8 metros de altura, no entanto, em oliveiras com uma maior idade, podem ser atingidas alturas superiores.  A folhagem da oliveira é do tipo persistente, podendo durar até três anos. De reduzidas dimensões, as folhas da oliveira permitem diminuir a interceção de luz e aumentar o máximo possível as trocas de calor, controlando a abertura e fecho dos estomas e consequente perdas de água associadas. A azeitona caracteriza-se por ser o fruto desta cultura, apresentando um caroço também conhecido como endocarpo, duro e com uma forma que pode ser distinta consoante a variedade de oliveira escolhida para cultivar. O mesocarpo, parte que é consumida na azeitona, caracteriza-se por ser   carnudo e suculento, cuja cor da película varia consoante a escolha da variedade.

No que diz respeito à floração, as flores desta árvore caracterizam-se por serem pequenas, com duas sépalas, quatro pétalas unidas pela base formando a corola.

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Conheça algumas características da cultura da oliveira: principais variedades

Existem várias variedades de olival, entre elas: azeiteira, carrasquenha, verdeal transmontana, conserva de Elvas, Redondil, Verdeal de Serpa, Galega Grada de Serpa, Cordovil de Serpa, etc. Abaixo abordo algumas das suas principais características:

– Azeiteira

Esta variedade é caracterizada por árvores com porte média, com boas produtividades e maturação temporã. Os seus frutos são caracterizados por terem forma elipsoidal, não apresentando muito rendimento para a produção de azeite. É uma variedade adequada à produção de azeitona para conserva.

No que diz respeito ao aparecimento de pragas e doenças, a variedade azeiteira é resistente à gafa e à mosca da azeitona.  Como o fruto é pouco resistente ao desprendimento, é favorecida a mecanização precoce da colheita das azeitonas.

– Carraquenha

Esta variedade caracteriza-se por possuir porte pequeno ou médio e apresentar pouco vigor. Se produzida em pé franco, apresenta pouca longevidade. Apresenta uma boa produtividade quando comparada com outras variedades, embora apresente uma maturação tardia.  Apresenta azeitonas com forma elipsoidal e rendimento em azeite não muito substancial (~24%). É pouco sensível à gafa e apresenta alguma resistência ao aparecimento da mosca da azeitona. Como o fruto é pouco resistente ao desprendimento, a colheita é feita muitas vezes mecanicamente.

– Verdeal Transmontana

A variedade verdeal transmontana caracteriza-se por ser uma variedade produtiva, de porte e vigor médios e maturação tardia. As suas azeitonas têm uma forma elipsoidal com um elevado rendimento em azeite. As azeitonas produzidas nesta variedade apresentam grande resistência ao desprendimento, o que dificulta a colheita de forma mecanizada. No que diz respeito às pragas e doenças, esta variedade é resistente à gafa e suscetível à tuberculose, olho de pavão e à mosca de azeitona.

– Conserva de Elvas

Esta variedade possui porte grande, com muito vigor e resistente a condições climáticas extremas como a seca ou solos extremamente compactos.  Com um porta enxerto muito vigoroso, é uma variedade que apresenta pouca produtividade e com uma maturação escalonada.

As suas azeitonas são ovoides, são muito usadas para conserva em verde (ex: azeitona verde de Elvas).

É uma variedade suscetível ao olho de pavão e à mosca da azeitona.

-Redondil

A variedade Redondil possui um porte médio, muito suscetível a solos compactos e húmidos e que apresenta uma grande produtividade e maturação temporã. As azeitonas são esféricas e é cultivada com dupla aptidão (azeite e azeitona). Em relação ao desprendimento, os frutos têm alguma resistência.

-Verdeal de Serpa

A variedade Verdeal de Serpa caracteriza-se por ser  de grande porte e vigorosa, adaptando-se bem a terrenos com humidade elevada.

É uma variedade muito produtiva, com maturação tardia e frutos ovoides.

As suas azeitonas são muito resistentes ao desprendimento o que dificulta a colheita mecânica. É uma variedade muito resistente à tuberculose e pouco sensível à gafa e à mosca da azeitona.

-Galega Grada de Serpa

É uma variedade de pequeno a médio porte, com uma boa produtividade e com azeitonas com forma ovoide que se desprendem com facilidade. É resistente à tuberculose e à mosca da azeitona.

-Cordovil de Serpa

Variedade com pequeno a médio porte, com produtividade média e maturação tardia. As suas azeitonas ovóides, com um rendimento médio para azeite e resistentes ao desprendimento. Devido à sua maturação tardia, a época de colheita deve ser tida em consideração. Relativamente ás pragas e doenças no olival, esta variedade é muito suscetível à tuberculose e sensível à mosca da azeitona.

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O olival em Portugal

Atualmente, a oliveira é cultivada em muitos locais do mundo, no entanto, a sua maior expressão em termos de cultivo devido às suas exigências edafoclimáticas, é na bacia do Mediterrâneo que o cultivo do olival é mais expressivo (para azeite e azeitona). Na Europa, destacam-se países produtores desta cultura como Espanha, Itália e Grécia (que acabam por se destacar também na produção a nível mundial).

No nosso país, a produção de azeitona e azeite também é bastante expressiva tanto a nível europeu como nacional. Relativamente às regiões agrárias com maior área(ha) destacam-se  Trás-os-Montes e Alentejo.

Conheça as exigências edáficas e climáticas da cultura da oliveira

Relativamente às condições climáticas, a cultura da oliveira característica do clima mediterrâneo, composto por Invernos suaves e verões longos, quentes e secos. Dada a sua rusticidade, a oliveira “aguenta” intervalos de temperatura extensos, sendo a temperatura ótima localizada entre os 22ºC e 30ºC, suportando temperaturas superiores a este intervalo. É importante que também se tenha em conta que o olival necessita de temperaturas baixas, para que ocorra a vernalização e ocorra a frutificação.  No entanto, caso se verifiquem temperaturas demasiado baixas, especialmente durante o período de crescimento e maturação do fruto, podem influenciar negativamente o desenvolvimento da planta ocorrendo quebras na produtividade e qualidade das azeitonas produzidas. Relativamente ao tipo de solos, o olival por ser uma cultura rústica neste aspeto e por essa razão, adapta-se bem a qualquer tipo de solo. No entanto, as oliveiras demonstram preferência por solos francos, com teores de argila, limo, areia e matéria orgânica equilibrados. Desta forma, as raízes não apresentam dificuldade para se desenvolverem especialmente se os solos forem muitos profundos, com uma boa retenção de água e permeáveis.

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Como instalar a cultura da oliveira

Existem períodos mais indicados para instalar uma ou várias oliveiras tendo em conta o objetivo de quem as cultiva. A melhor altura para plantar oliveiras é no Outono (nos meses de setembro e outubro) e na Primavera (nos meses de março e abril), dependendo da região do país onde se encontra. O importante é que plante em períodos livres de geada de forma a minimizar danos na planta. Estes períodos acima descritos funcionam também para o caso de transplante de oliveiras jovens compradas em centros de jardinagem, por exemplo.

Dado que a oliveira não gosta de terrenos muito pesados com um teor em argila muito grande bem como encharcados. A cova para a oliveira deve ser de tamanho suficiente para conseguir que as suas raízes fiquem bem-acondicionadas, podendo ser necessário adicionar uma fertilização extra.

No caso de transplante de oliveiras para o local definitivo, antes de ser colocado no local definitivo, deve ser feita uma ligeira poda na parte aérea da planta até cerca de 40 cm acima da inserção dos primeiros ramos (de forma a reduzir as perdas de água). Deve proteger a raiz com um toldo ou plástico antes de a levar para o local definitivo.

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Conheça os principais cuidados de manutenção a ter nas oliveiras

Deve ter em consideração que não deve regar nem fertilizar em demasiado. Ainda no que diz respeito à fertilização, a oliveira é muito sensível à falta de boro razão pela qual este deve ser aplicado em quantidade muito reduzidas à planta de forma a que não se torne tóxica para esta cultura.

No que diz respeito à poda, deve ser efetuada podas ligeiras anualmente de forma a promover a abertura da copa e o arejamento da folhagem da oliveira e protegendo a planta do aparecimento de pragas e doenças. Nesta operação cultural, devem ser eliminados os ramos secos e doentes. A poda é realizada no mês de março quando as temperaturas já são mais altas e existe uma boa cicatrização de feridas resultantes desta prática.

No que diz respeito aos problemas fitossanitários, estes serão descritos no tópico seguinte. Nestes casos, pode ser necessário aplicar cobre no início do outono e no final do inverno de forma a minimizar o ataque de fungos e reduzir a queda de folhas de forma excessiva.

Conheça os principais problemas fitossanitários desta cultura

As principais pragas que aparecem no olival são: mosca da azeitona, traça da oliveira, cochonilha negra, algodão da oliveira, tripe e caruncho.

As principais doenças que aparecem no olival são: gafa, olho de pavão, vertisilose e a ronha ou Tuberculose.

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Qual é o momento certo para colher?

A colheita da azeitona começa a ocorrer a partir de meados de setembro, que coincide com o momento em que estas começam a adquirir uma coloração amarelada e apresentam um tamanho considerável (caso seja para a obtenção de azeitonas).

No caso da finalidade ser a obtenção/ extração de azeite deve se esperar que as azeitonas adquiram uma coloração arroxeada a negra, que coincide com o final de outubro e o início de novembro.

As folhas da oliveira podem ser apanhadas nos meses do verão de forma a secá-las posteriormente para fazer infusões.  No caso de as azeitonas serem colhidas ainda verdes (meados de setembro) podem ser preparadas para fazer aperitivos ou entradas.

Fontes bibliográficas

Alves, M. (2007). Caracterização e Estrutura Genéticas da Cultivar de Oliveira “Cobrançosa” e sua Relação com o Zambujeiro. Dissertação para a obtenção do grau de Mestre na Universidade de Lisboa, Faculdade de Ciências.

Estatísticas Agrícolas 2018, Instituto Nacional de Estatística. Estatísticas Oficiais,Edição 2018.

Food and Agriculture Organization of the United Nations,Acedido a 7 de janeiro de 2020

Mãos à Horta; de Maria Elvira Ferreira e Graça Barreiro.

Sousa, A. (2005). Caracterização Morfológica e Físico-Química de Cultivares de Olea

europaea L.. Trabalho fim de curso. Escola Superior Agrária, Instituto Politécnico de

Bragança.

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