Xylella Fastidiosa chegou a Portugal. Bactéria encontrada em lavanda

Autor do artigo: Agricultura e Mar

Os serviços da DGAV — Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária identificaram plantas portadoras da bactéria Xylella fastidiosa em Portugal. A DG SANTE (Direcção-Geral da Saúde e Segurança Alimentar da Comissão Europeia) foi já informada da situação.

“As autoridades nacionais desencadearam já todas as acções recomendadas, tendo em vista a identificação e contenção da situação”, garante a DGAV.

Em lavanda, sem sintomatologia da doença

A amostra foi colhida pelos serviços da Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Norte (DRAP Norte) no âmbito do “Programa Nacional de Prospecção de X. fastidiosa”, em plantas do género Lavandula, planta ornamental vulgarmente conhecida por lavanda, sem sintomatologia da doençaem Vila Nova de Gaia.

“O local de colheita da amostra foi já devidamente inspeccionado por uma brigada mista de técnicos da Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Norte e da Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária, que procederam ao levantamento da situação e à colheita de amostras, tendo sido determinada a destruição das plantas”, afirma um comunicado da DGAV.

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Sintomas de declínio rápido da oliveira observados em Puglia, Itália. Foto: EPPO

Levantamento de plantas sensíveis num raio de 100 metros

Acrescenta aquela Direcção que, ao longo dos próximos dias, os trabalhos de levantamento de plantas sensíveis num raio de 100 metros (denominada zona infectada) e a respectiva colheita de amostras vão prosseguir.

Entretanto, terá início o processo de identificação da flora sensível ao agente bacteriano num raio de 5 km (considerada a zona tampão), que será levado a cabo em colaboração com o Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) e com as Câmaras Municipais de Vila Nova de Gaia e de Gondomar.

Será também divulgado um Edital referente à Zona Demarcada, constituída pela zona infectada e pela zona tampão, identificando a área em causa.

Análise feita pelo INIAV

A análise positiva foi obtida pelo Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV) e confirmada pelo Laboratório Europeu de Referência (ANSES), aguardando-se informação relativamente à estirpe da bactéria.

A DG SANTE (Direcção-Geral da Saúde e Segurança Alimentar da Comissão Europeia) foi já informada da situação e a DGAV está a preparar a respectiva notificação EUROPHYT.

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Sintomas de declínio rápido da oliveira observados em Puglia, Itália. Foto: EPPO

A praga das oliveiras e não só

21 de Outubro de 2013. Itália informa os outros Estados-Membros e a Comissão Europeiada presença da Xylella fastidiosa no seu território. A bactéria foi encontrada em duas áreas distintas da província Lecce, na região de Apúlia. Posteriormente foram identificados outros dois focos diferentes na mesma província.

A identificação em Apuglia (Itália meridional) representa a primeira detecção confirmada na Europa.

27 de Julho de 2015. As autoridades francesas notificaram a detecção do primeiro foco da bactéria Xylella fastidiosa na Córsega, em plantas ornamentais da espécie Polygala myrtifolia que apresentavam sintomas de dessecamento parcial.

A presença desta bactéria foi já confirmada relativamente a várias espécies de vegetais, incluindo a oliveira, a amendoeira, o loendro e o carvalho.

O que é?

O género Xylella, criado por Wells et al. (1987) é composto por uma única espécie, a Xylella fastidiosa. A espécie inclui várias estirpes, e caracteriza-se por um crescimento lento em meios de cultura.

As colónias crescem em meios artificiais, a 26-28°C, a pH entre 6, 5-6, 9, podem ser lisas ou rugosas, opalescentes e circulares. É uma bactéria vascular que vive no xilema das plantas, sendo transmitida por insectos.

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Graphocephala atropunctata, vector da doença (Xylella fastidiosa) na vinha. Adulto (feminino) em videira. Foto: AH – Purcell Universidade da Califórnia, Berkeley (EUA)

De acordo com trabalhos de sorologia e tipagem genética, as suas estirpes foram divididas em cinco subespécies: Xylella fastidiosa subsp. piercei (que inclui estirpes de videira), Xylella fastidiosa subsp. sandyi (loendro), Xylella fastidiosa subsp. multiplex (vários hospedeiros) e Xylella fastidiosa subsp. pauca (que inclui ameixeira, cafeeiro e citrinos) e a Xylella fastidiosa subsp. tashke, que foi identificada na Chitalpa (Chitalpa tashkentensis) uma árvore ornamental.

Saiba mais sobre a Xylella aqui.

acientistaagricola

Olá, sou a Rosa. Nasci e cresci em meio rural e desde cedo percebi o que queria fazer para o resto da vida. Mais tarde, quando entrei no ensino superior tornei-me Técnica Superior do Ambiente e Agrónoma, áreas que sempre me fascinaram. Este blog é mais do que um projecto pessoal...é  o culminar de duas paixões: a escrita e as ciências ambientais e agrárias. Este é um local de encontro entre todos aqueles que partilham destas mesmas paixões.  

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