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Conheça 5 práticas agrícolas sustentáveis para que as suas culturas sejam mais rentáveis

A agricultura sustentável é um dos temas que está na ordem do dia. Os agricultores e empresários agrícolas, conscientes da importância da adoção de práticas agrícolas sustentáveis nas suas explorações agrícolas, têm procurado garantir a sustentabilidade das suas produções.

Neste artigo, partilho consigo 5 práticas agrícolas sustentáveis para que as suas culturas sejam mais rentáveis.

1-Adubação verde

A adubação verde também conhecida por estrumação verde é uma das práticas agrícolas sustentáveis mais antigas que tem vindo a ser recuperada na agricultura que se pratica atualmente. Na adubação verde são utilizadas culturas como as leguminosas que através do processo de nodulação acabam por fixar o azoto. Este processo ocorre sobretudo porque as bactérias “rizóbio” que penetram as raízes, alojam-se no interior dos nódulos e acabam por transformar o azoto gasoso em amónio. Os microrganismos responsáveis por este processo são assim responsáveis pela fixação biológica do azoto, permitindo dessa forma reduzir a utilização da adubação azotada.

A adubação verde torna-se especialmente interessante porque o azoto que é fixado e que permanece na planta quando esta é enterrada/cortada é libertado de forma muito lenta. Dessa forma, a poluição dos lençóis freáticos através da adubação verde é muito inferior quando comparada com uma adubação de síntese.

Algumas das culturas utilizadas para a prática da adubação verde; tremoço, fava, tremocilha, mostarda branca, serradela, trevo encarnado, facélia, etc.

São também utilizadas bactérias fixadoras livres tais como a Azoctobacter vinelandii, Pantoea dispersa bem como cianobactérias.

Além das vantagens enumeradas acima, a adubação verde apresenta-se eficiente na proteção dos solos contra a erosão, melhoria da estrutura edáfica, permite uma retenção de nutrientes mais eficaz, trabalha na produção de matéria orgânica para o solo, aumento da atividade biológica do solo, entre outras vantagens.

2-Rotações e consociações das culturas

A rotação de culturas consiste em dividir um terreno em folhas de cultura também designado por afolhamento em que estas serão tantas quanto os anos da rotação. Isto significa que o número de culturas é igual ao número de anos da rotação. Normalmente é usada uma cultura por “folha” e por ano ou mais do que duas culturas folha/ano. Não são aconselhadas rotações de culturas sem afolhamento (em cada ano só é cultivada uma das culturas da rotação) dado que pode potenciar o aparecimento de problemas fitossanitários e a diminuição da biodiversidade.  

Mas quais são os benefícios decorrentes da adotação desta prática para os seus terrenos?

-Bem, são várias.

Por um lado, as rotações de culturas permitem um aumento da fertilidade do solo, além de uma maior eficiência da fertilização das culturas agrícolas. Paralelamente, permitem uma diminuição do aparecimento de problemas fitossanitários como pragas e doenças ajudando ainda a controlar o aparecimento de plantas infestantes. Dado que promovem a diversificação das culturas produzidas, as rotações de culturas fomentam ainda um aumento da biodiversidade. Assim, antes de estabelecer uma rotação de culturais anual é importante ter em conta alguns fatores tais como a profundidade de raiz das culturas em rotação, a sensibilidade das culturas escolhidas a pragas e doenças, capacidade das culturas extraírem e exportarem nutrientes, quantidade de subprodutos deixados pelas culturas em rotação, entre outros critérios.

Relativamente à consociação de culturas, define-se como um sistema de policultura em que pelo menos duas culturas estão próximas uma da outra possibilitando a competição ou a complementação entre ambas. Uma das principais vantagens da adoção desta prática agrícola é que permitem uma melhor utilização dos nutrientes do solo promovendo uma maior produtividade, o que é de todo muito vantajoso. Por outro lado, cultivando com este tipo de arranjo cultural verifica-se um combate mais eficiente a pragas e doenças agrícolas e menor desenvolvimento de plantas infestantes devido a fatores com o sombreamento e a alelopatia.

Existem exemplos de consociações muito utilizadas, como por exemplo: milho+feijão, aveia+ervilhaca, trigo+trevo branco, entre outras.

É importante ainda referir que para que esta prática cultural seja proveitosa e dela se obtenha o sucesso que qualquer agricultor ambiciona, é imprescindível que tal como qualquer atividade agrícola, seja bem planeada. Para tal, é elementar que se tenham em conta fatores bióticos e abióticos, tais como: solo, clima, culturas, variedades escolhidas entre outros fatores que possam interferir no sucesso desta prática. 

Existem diferentes arranjos de espaço das consociações que podem ser adotados entre eles: mista, em linha, fronteira, dupla fronteira e em faixa. Diferem estre eles pela forma como é feito o arranjo das plantas no terreno e a proporção utilizada.

3-Respeito pelo solo e adoção da mobilização mínima

No geral, os sistemas de mobilização do solo praticados dividem-se em: mobilização convencional, mobilização mínima e não-mobilização. Estas práticas apresentam diferentes influências nas características físicas e químicas do solo e por essa razão os níveis de compactação do solo também irão variar. A mobilização mínima é menos intensa, quer em termos de superfície, profundidade, tipo de trabalho realizado, ou número de operações culturais requeridas quando comparado com outros sistemas de mobilização como a convencional. Pode ser feita na zona ou na linha podendo ser feita a sementeira simultaneamente recorrendo a semeadores especiais. Na mobilização mínima utilizam-se alfaias de mobilização vertical tais como escarificadores que se caracterizam por serem mais leves e não contribuírem tanto para a compactação. O que é importante reter no que diz respeito a esta temática é que para garantir uma maior vitalidade do solo devem evitar-se mobilizações muito frequentes e profundas.  Desta forma, minimiza-se a germinação de mais plantas infestantes que, num solo demasiado trabalhado/mobilizado, acabam por surgir em maior quantidade (é a forma do solo defender-se).

4-Otimização das regas

A rega é imprescindível para a agricultura dado que fornece ao solo as quantidades de água necessárias à obtenção da humidade do solo mais adequada ao desenvolvimento das plantas cultivadas. Dado que a água é um bem tão importante e escasso, é imprescindível usá-la de forma eficiente. Por essa razão, é necessário um conhecimento adequado das características do solo e das necessidades hídricas das culturas para que as regas efetuadas sejam bem otimizadas. Posto isto, a evapotranspiração da cultura é um dos principais fatores a ter em conta dado que é um conceito que integra as quantidades de água transpiradas pelas plantas e evaporadas a partir do solo.

A intensidade da evapotranspiração das culturas depende de fatores ligados ao clima (humidade relativa do ar, insolação, vento e temperatura) bem como à própria cultura (dimensão da planta, percentagem de cobertura do solo, fase do desenvolvimento vegetativo).

Também o solo, não tendo influência direta na evapotranspiração, influencia a escolha do intervalo de tempo entre regas e o cálculo da dose de rega (volume de água a aplicar em cada rega). O tipo de solo pode ainda condicionar a eficiência de rega, sobretudo se esta não for conduzida com os cuidados necessários.

Como podemos então otimizar o uso da água? Podemos começar por modificar as culturas instaladas e/ou adequar as variedades utilizadas aos métodos de rega que escolheu. Por outro lado, é importante que determine as necessidades hídricas das culturas antes de a instalar. Isto porque cada cultura tem necessidades hídricas específicas e esse fator faz toda a diferença. É ainda muito importante que opte por calendarizar a sua rega avaliando quando deve regar e quais os momentos mais críticos em que a mesma deve ser feita. A escolha dos métodos de rega é também um dos fatores que mais peso apresenta na otimização do uso da água na agricultura.  Por essa razão antes de montar o sistema de rega reflita sobre como o vai fazer e que meios necessita, pois, o planeamento é a chave.

5-Privilegie gamas de produtos com resíduo zero

A utilização de boas práticas no manuseamento de produtos agrícolas é imprescindível para a sustentabilidade do setor. No que diz respeito à proteção fitossanitária das culturas é importante que utilize apenas produtos homologados para a cultura e “inimigo” que pretende combater. Garanta que respeita as instruções no rótulo e que segue as recomendações de segurança do mesmo, bem como a ficha de segurança do produto. Privilegie medidas preventivas, ao invés de medidas curativas.  No momento da aquisição de inputs para a sua cultura, privilegie sempre produtos com resíduo zero.   Longe vão os tempos em que apenas se considerava a agricultura convencional como único modo de produção. Atualmente a proteção e produção integrada, bem como biológica, são cada vez mais uma realidade que pode ser feita com escala e rentabilidade para os empresários agrícolas. Hoje em dia são cada vez mais consideradas soluções biotecnológicas que usam muitas vezes microrganismos ou os metabolitos resultantes da sua atividade, e que enquadram de forma equilibrada os últimos normativos da CE onde se pretende uma maior responsabilidade ambiental e um aumento do rendimento das culturas que permita responder às exigências do mundo atual.

Nesse sentido, a Hubel Verde lançou a  gama Native composta por produtos maioritariamente aptos para uso em agricultura biológica ou em produções de Resíduo Zero.

Estes produtos são fortes precursores da elaboração, por parte da planta, de elementos que vão potenciar a sua fisiologia em fases cruciais do seu desenvolvimento, como o enraizamento e estabelecimento da planta, da floração e vingamento e do crescimento e maturação dos frutos. Também, a presença de indutores específicos provenientes de fontes naturais e biológicas vão despertar reações de defesa das plantas preparando-as em antecipação (efeito priming) para uma maior capacidade de resposta face a ameaças bióticas e abióticas.

A agricultura do presente e do fruto passará sempre por “aumentar a rentabilidade das culturas através do uso mais eficiente da água, maior qualidade da produção, maior defesa contra doenças e pragas, e uma melhor defesa e recuperação das culturas face a condições edafoclimáticas desfavoráveis” – diz a Hubel Verde. Ao mesmo tempo, a preocupação implícita de proteger a vida nos solos e nos aquíferos e a segurança alimentar estará sempre presente hoje e no futuro.

Alguns dos produtos da gama Native, da Hubel.

Conheça os produtos da gama Native aqui.

Espero que tenham gostado deste artigo e que já apliquem a maioria das boas práticas agrícolas sustentáveis que abordei aqui.

Artigo patrocinado pela Hubel Verde*

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