Domingo, Março 3, 2024

Parlamento Europeu aprova novas técnicas genómicas. Mas proibidas na produção biológica

Fonte: Agricultura e Mar

O Parlamento Europeu adoptou hoje, 7 de Fevereiro, a sua posição para as negociações com os Estados-membros sobre a proposta da Comissão relativa a novas técnicas genómicas (NTG), que alteram o material genético de um organismo, com 307 votos a favor, 263 votos contra e 41 abstenções. Mas continuam proibidas na produção biológica.

O Parlamento prepara-se agora para iniciar negociações com os governos dos Estados-membros sobre a versão definitiva da legislação.

O objectivo é “tornar o sistema alimentar mais sustentável e resiliente, desenvolvendo variedades vegetais melhoradas que sejam resistentes ao clima e às pragas e que proporcionem rendimentos mais elevados ou necessitem de menos fertilizantes e pesticidas”, refere uma nota de imprensa do Parlamento, adiantando que “alguns produtos NTG podem levar à redução do desperdício alimentar e das emissões de CO2, como as bananas que não escurecem”.

Após a votação, a relatora Jessica Polfjärd (PPE, Suécia) referiu que “as NTG são cruciais para reforçar a segurança alimentar da Europa e para tornar a nossa produção agrícola mais ecológica. As novas regras irão permitir o desenvolvimento de variedades vegetais melhoradas que possam assegurar rendimentos mais elevados, sejam resistentes ao clima ou necessitem de menos fertilizantes e pesticidas. Espero que os Estados-membros adoptem em breve a sua posição para que possamos adoptar as novas regras antes das eleições europeias e dar aos agricultores os instrumentos de que necessitam para a transição ecológica”.

Actualmente, todos os vegetais obtidos por NTG estão sujeitos às mesmas regras que os organismos geneticamente modificados (OGM). Os eurodeputados concordam com a proposta de ter duas categorias diferentes e dois conjuntos de regras para os vegetais NTG. Os vegetais NTG considerados equivalentes aos convencionais (vegetais NTG da categoria 1) ficam isentos dos requisitos da legislação em matéria de OGM, ao passo que outros vegetais NTG (vegetais NTG da categoria 2) continuam a ter de cumprir requisitos mais rigorosos, acrescenta a mesma nota.

Os eurodeputados querem que continue a ser obrigatório um rótulo com a menção “novas técnicas genómicas” para vegetais NTG 1 e NTG 2.

Proibidos na produção biológica

Os eurodeputados também concordam que todos os vegetais NTG devem permanecer proibidos na produção biológica, uma vez que “a sua compatibilidade exige uma análise mais aprofundada e querem que a Comissão apresente um relatório sobre a evolução da percepção dos consumidores e dos produtores sobre as novas técnicas, sete anos após a sua entrada em vigor”.

Vegetais NTG da categoria 1

No caso dos vegetais NTG da categoria 1, os eurodeputados querem alterar a dimensão e o número de modificações necessários para que um vegetal NTG seja considerado equivalente aos vegetais convencionais. A fim de garantir a transparência, os eurodeputados concordam que deve ser criada uma lista pública, disponível online, de todas os vegetais NTG da categoria 1.

Vegetais NTG da categoria 2

Para os vegetais NTG da categoria 2, os eurodeputados concordam em manter a maior parte dos requisitos da legislação em matéria de OGM, uma das mais rigorosas do Mundo, incluindo o procedimento de autorização.

A fim de incentivar a sua utilização, os eurodeputados concordam em acelerar o procedimento de avaliação dos riscos dos vegetais NTG da categoria 2 que devem contribuir para um sistema agroalimentar mais sustentável, mas sublinham que deve ser respeitado o chamado princípio da precaução.

Proibição de todas as patentes

Por outro lado, os eurodeputados querem uma proibição total das patentes de todos os vegetais NTG, material vegetal e partes dos mesmos, informação genética e características do processo neles contidas, a fim de “evitar incertezas jurídicas, custos acrescidos e novas dependências para agricultores e criadores”.

Pedem também, até Junho de 2025, um relatório sobre o impacto das patentes no acesso dos criadores e dos agricultores a material de reprodução vegetal variado, bem como uma proposta legislativa para actualizar as regras da União Europeia sobre direitos de propriedade intelectual em conformidade.

acientistaagricola
acientistaagricolahttp://acientistaagricola.pt
Olá, sou a Rosa. Nasci e cresci em meio rural e desde cedo percebi o que queria fazer para o resto da vida. Mais tarde, quando entrei no ensino superior tornei-me Técnica Superior do Ambiente e Agrónoma, áreas que sempre me fascinaram. Este blog é mais do que um projecto pessoal...é  o culminar de duas paixões: a escrita e as ciências ambientais e agrárias. Este é um local de encontro entre todos aqueles que partilham destas mesmas paixões. 

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