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Micorrizas: o que são, tipos e benefícios para a produção agrícola

As micorrizas caracterizam-se por serem uma associação mutualística do tipo simbiótico que se verifica entre certos fungos e raízes de algumas plantas. Através desta associação entre as hifas do fungo e as raízes das plantas, verifica-se um aumento da superfície de absorção permitindo às plantas absorver mais água, nutrientes e adaptarem-se a ambientes mais adversos. Os fungos, por sua vez, acabam por receber das plantas os hidratos de carbono e aminoácidos essenciais ao seu desenvolvimento, sendo por isso benéficos para ambas as partes. Neste novo artigo, fique a saber mais sobre as funções das micorrizas, tipos de micorrizas e benefícios para a produção agrícola.

Saiba mais sobre as micorrizas

Tal como abordado anteriormente, a maioria das plantas está associada a fungos ao nível radicular, responsáveis por lhes proporcionar uma melhoria da sua capacidade de absorver nutrientes. Existem, porém, culturas de famílias como a Brassicaceae, Polygonaceae, Juncaceae e Proteaceae em que é pouco provável encontrar a presença de micorrizas de qualquer tipo.

Existem vários tipos de associações micorrízicas que são classificadas tendo em conta a sua estrutura, morfologia, modo de infeção bem como o tipo de organismo mutualista que as estabelecem.

Assim, são reconhecidos dois grandes grupos de associações micorrízicas, que se diferenciam tendo em conta a zona onde as hifas dos fungos se desenvolvem: ectomicorrizas e as endomicorrizas.

As endomicorrizas correspondem a fungos cujas hifas penetram nas células da raíz e as ectomicorrizas correspondem a fungos que se desenvolvem nos espaços intercelulares das células radiculares.

Dado que as associações endomicorrízicas apresentam um baixo grau de especificidade no que diz respeito à planta hospedeira acabam por ser mais comuns do que as associações ectomicorrízicas.

Por outro lado, as associações endomicorrízicas apresentam uma elevada capacidade de resistência a diversas condições ambientais uma vez que os seus esporos crescem facilmente e podem sobreviver no solo sem que para isso ocorra contacto com uma raiz durante longos períodos de tempo. Por esse motivo, as associações endomicorrízicas acabam por ser encontradas na grande maior de famílias das plantas vasculares existentes no ecossistema.

Este grupo das associações endomicorrizicas pode ainda subdividir-se em seis sub-tipos: micorrizas ericóides, orquidóides, arbutóides, monotrepóides, ecto-endomicorrizas e micorrizas arbusculares. Todos estes tipos de micorrizas distinguem-se entre si por apresentarem taxonomia dos fungos, das plantas e do tipo de colonização distintos.

A nível agronómico, as micorrizas arbusculares que resultam da colonização das raízes por fungos simbióticos obrigatórios, acabam por destacar-se dado que favorecem o crescimento e a produtividade agrícola. Para além disso, este tipo de micorrizas acabam por ocorrer em cerca de 80% das espécies de plantas vasculares, o que demonstra a sua abrangência.

Este tipo de micorrizas são constituídas por três elementos: a raíz, as estruturas fúngicas e o micélio extrarradicular (no solo). Possuem umas estruturas intracelulares característicos denominados arbúsculos que são o resultado da ramificação das hifas dentro das células corticais das raízes. Além destas estruturas, as micorrizas arbusculares possuem vesículas de reserva que estão presentes no interior ou entre as células. No que diz respeito à reprodução, a única forma reprodutiva conhecida é a reprodução assexuada que é assegurada pelos esporos que acabam por resistir a longos períodos de tempo, mantendo-se viáveis mesmo quando a planta hospedeira não esteja presente.

Principais componentes da Micorriza Arbuscular. imagem disponível em: https://docplayer.com.br/docs-images/76/73021132/images/21-0.jpg. (SIQUEIRA, 2003)

Conheça os benefícios do uso de micorrizas na agricultura

A aplicação de fertilizantes de forma desequilibrada, bem como a adoção de outras práticas agrícolas pouco sustentáveis, são algumas das principais razões que têm vindo a promover a degradação do solo. Devido à adopção de práticas agrícolas cada vez mais sustentáveis, as utilizações de microrganismos para a promoção do equilíbrio das produções agrícolas têm vindo a ser cada vez mais testados.

De facto, as micorrizas têm vindo a desempenhar um papel cada vez mais interessante apresentando a sua aplicação várias vantagens tais como nutricionais, fisiológicas e hormonais.

Mas como podem os fungos micorrízicos promover uma maior absorção de água e nutrientes?

Os fungos micorrízicos caracterizam-se por possuírem uma extensa rede de hifas no solo que responsáveis por conferir uma elevada capacidade para a absorção de água e nutrientes.

No que diz respeito ao fornecimento de nutrientes, os fungos micorrízicos conseguem fornecer fósforo à planta hospedeira, especialmente em situações de solos que apresentam este elemento pouco disponível.  Dado que as suas redes de hifas são responsáveis por explorarem o solo em busca de nutrientes, acabam por aceder a elementos que de outra forma estariam pouco disponíveis para as plantas, como é o caso do fósforo. Isto acontece porque, através da libertação na rizosfera de fosfatases (através da acção de enzimas) que podem ser ácidas ou alcalinas, acabam por solubilizar o fósforo, tornando-o bio disponível.

Para além deste nutriente, as plantas micorrizadas acabam por aceder a outros nutrientes importantes para o crescimento e desenvolvimento das plantas tais como azoto, potássio, cálcio, magnésio bem como o acesso a micronutrientes. Por essa razão, estes tipos de fungos acabam por permitir umaoptimização dos fertilizantes e a garantia de uma nutrição equilibrada.

Os benefícios das micorrizas não são apenas a nível nutricional, sendo também responsáveis por melhorar o acesso a nutrientes que estão em falta. Devido à sua longa rede de hifas, o acesso à água pode ficar mais facilitado dado que estes microorganismos acabam por favorecer o crescimento das plantas hospedeiras em condições de stress hídrico bem como outros tipos de stress. Para além disso, estes tipos de fungos podem contribuir para aliviar a planta da toxicidade de metais pesados em solos contaminados e dessa forma restringir a sua mobilidade para a parte aérea. Os fungos micorrízicos podem também contribuir para aumentar a tolerância das plantas à salinidade dos solos o que pode revelar-se uma excelente ajuda.

Para além do fornecimento dos nutrientes e água, as hifas dos fungos apresentam-se como a principal alternativa de entrada de carbono no solo. Através do micélio dos fungos, o carbono da fotossíntese entra na matéria orgânica do solo, o que permite aumentar a atividade fisiológica da planta, aumentar a atividade fotossintética e aumentar a quantidade de reservas na planta.

Além disso, a utilização de fungos micorrízicos permite conferir também vantagens hormonais muito interessantes tais como garantir um balanço hormonal controlado e aumentar o sistema radicular. No que diz respeito à fase da frutificação, a aplicação de micorrizas pode proporcionar uma melhor frutificação, calibre e qualidade da fruta (ºBrix, firmeza, pós-colheita, entre outros parâmetros).

A utilização de fungos micorrízicos comerciais nas suas culturas

A utilização de fungos micorrízicos comerciais podem ser ferramentas úteis na sustentabilidade dos sistemas de produção e manutenção de culturas. Embora este tipo de fungos já se encontrarem naturalmente nos solos agrícolas nas diversas formas já descritas anteriormente, pode ser utilizado um inóculo comercial de forma a facilitar todo este processo tornando-o mais ágil, mais estável e mais eficiente.

O MycoUp  da Hubel Verde é um preparado à base do exclusivo Glomus iranicum var. tenuihypharum, que potencia a capacidade de absorção de nutrientes por parte da raiz. É um produto utilizável em Agricultura Biológica de acordo com o Regulamento (CE) nº 834/2007 do Conselho e o Regulamento (CE) nº 889/2008 da Comissão, relativos à produção biológica e à rotulagem dos produtos biológicos.
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Pode ser utilizado nas seguintes culturas:

– Arvenses de inverno e verão;

– Citrinos, abacates e dióspiros;

– Cucurbitáceas;

– Frutos secos;

– Kiwi;

– Leguminosas, proteaginosas e oleaginosas;

– Olival;

– Pequenos Frutos;

– Pomóideas;

– Prunóideas;

– Tomate e pimento para indústria;

– Vinha;

– Entre outras.

Artigo patrocinado pela Hubel*

Referências bibliográficas

SIQUEIRA, J.O.; ANDRADE, A.T.; FAQUIN, V. O papel dos microrganismos na disponibilização e aquisição de fósforo pelas plantas. Departamento de Ciência do Solo. UFLA. (Palestra proferida em São Pedro, SP). 2003.

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