Olá 🙂 Espero que se encontrem bem. Hoje, venho falar-vos sobre adubação verde e 6 tipos de adubos verdes que pode produzir e que lhe vão trazer muitos benefícios para o seu solo e plantas. Quer descobrir alguns exemplos de adubos verdes e saber em que situações os usar? Descubra neste artigo.

adubos verdes

Adubos verdes: porque devemos usá-los?

adubação verde é uma prática agrícola bastante antiga que tem como objetivo incrementar a capacidade produtiva do solo, melhorando a sua estrutura e composição.

Como deve ter ideia, a maior parte dos terrenos são cultivados de forma intenso o que leva a que depois de efetuada a colheita, o solo acabe por perder nutrientes, empobrecendo.

Os adubos verdes podem ser assim uma excelente alternativa mais sustentável de “fertilização” pois contribuem para diminuir a necessidade da utilização de adubos industriais, mantendo a sua capacidade produtiva. 

Saiba mais sobre a adubação verde aqui

Podemos também utilizar os adubos verdes em situações de terrenos em pousio ou na rotação de culturas.

Algumas das culturas usadas como adubos verdes podem ser comestíveis também como :favas, ervilhas, trevos, girassóis e mostarda.

Centeio

O centeio é o primeiro exemplo de adubo verde que vou partilhar convosco. Caracteriza-se por ter uma boa tolerância a baixas temperaturas e acaba por “cobrir” o solo bastante rapidamente durante o Inverno.

É conveniente semear o centeio no outono, para que ele consiga sobreviver bem em caso de temperaturas muito extremas continuando o seu desenvolvimento muito bem na primavera, podendo atingir uma altura bastante interessante. 

Além destas vantagens indicadas anteriormente, o centeio é bastante vantajoso como adubo verde pois previne o fenómeno da erosão e promove uma boa formação de raízes.

Cumulativamente, as suas sementes possuem um preço bastante acessível e são pouco exigentes relativamente ao tipo de solos que preferem para se desenvolver, crescendo tanto em solos ácidos, arenosos, com ter em sais elevados ou solos pobres.

Por possuir as suas raízes bem desenvolvidas, o centeio consegue produzir nutrientes de maior dificuldade de acesso, tornando-os mais facilmente absorvidos pela maioria das culturas.

Após produção do centeio como adubo verde, podem ser cultivadas outras culturas como por exemplo as culturas hortícolas mais comuns como abóboras, batatas, tomates, pepinos, cenouras, etc.

adubos verdes centeio

Mostarda Branca

A mostarda branca é uma cultura muito utilizada em adubação verde, uma vez que apresenta uma enorme capacidade “melhorada” das propriedades e características do solo, fornecendo-lhe os nutrientes que este necessita tais como o azoto, por exemplo.

Além disso, desempenha um papel muito interessante no combate à proliferação dos nemátodos.

Cresce e desenvolve-se rapidamente e de forma vigorosa o que ajuda também a controlar o aparecimento de infestantes, problema que preocupa tantos os agricultores.

Á semelhança do centeio, as raízes da mostarda branca auxiliam no processo de melhoramento da estrutura do solo e retenção da humidade e nutrientes tão importantes para as plantas.

Por outro lado, a mostarda branca é considerada um planta melífera, ou seja, é muito eficaz a atrair abelhas bem como outros polinizadores.

A melhor época para semear mostarda branca pode situar-se tanto no Outono como na estação da Primavera. Gosta de zonas com uma boa exposição solar e adapta-se bem a climas mais frios. Em situações de seca, acaba também por desenvolver-se sem muitos inconvenientes.

É uma cultura bastante versátil, podendo ser produzido numa grande diversidade e amplitude de solos distintos, o que é bastante vantajoso.

Para incorporar a mostarda como adubo verde deve fazê-lo por “esmagamento”, dado que dessa forma auxilia no processo de decomposição. Enterre-a posteriormente no solo recorrendo a maquinaria agrícola com dentes ou discos a uma profundidade de pelo menos 20 cm de forma a que os microrganismos do solo, possam fazer “o seu trabalho” devidamente. Incorpore posteriormente após cerca de 40 dias após o recorte.

adubos verdes mostarda branca

Serradela

Em solos mais arenosos, a serradela é uma cultura anual de porte rasteiro muito utilizada como adubo verde. Com origem na costa atlântica da Península Ibérica e Marrocos, é uma leguminosa anual que caracteriza-se por produzir uma forragem que animais apreciam bastante, além de ser nutricionalmente muito rica em proteínas.

Desempenha um papel muito interessante no combate ao aparecimento de plantas indesejáveis, sendo um dos motivos pelo qual além de ser utilizada como adubo verde é também utilizada na rotação de culturas como o milho ou a cultura do arroz.

É uma cultura muito rústica e por isso não é muito afetada por pragas ou doenças nem necessita de muitos cuidados de manutenção.

adubos verdes serradela

Trigo-sarraceno

O trigo-sarraceno também conhecido como trigo mourisco é uma cultura crescimento bastante rápida além de ser muito eficiente a atrair insetos polinizadores.

O trigo-sarraceno não é muito susceptível ao aparecimento de pragas e doenças, sendo por isso uma das suas principais vantagens. Além disso, pode ser utilizado como cultura forrageira para alimentar o gado.

Como condições edafoclimáticas, o trigo sarraceno necessita de locais como boa exposição solar, com um solo com um pH ligeiramente ácido e não muito fertilizado.

Quando reparar que a cultura começa a perder as suas primeiras sementes pode ser um bom indicativo de que pode fazer um corte e iniciar o processo de secagem. Se pretender consumir as suas sementes, garanta que remove a sua casca exterior.

adubos verdes trigo sarraceno

Trevo Encarnado

Á semelhança de outras cultura que funcionam como adubos verdes já anteriormente abordadas neste artigo, o trevo encarnado é um cultura anual que é também bastante melífera, atraindo facilmente insectos polinizadores.

Confere facilmente um grande aporte de aoto ao solo e ajuda a combater o aparecimento de plantas infestantes dado que o seu crescimento dá-se muito rapidamente e de forma vigorosa.

Esta cultura possui flores bastante bonitas e vistosas, que por atrairem muitos insectos contribuem também para a manutenção e diversicação da paisagem.

A melhor altura para semear trevo encarnado pode ser tanto no outono como na primavera, desde que se garanta um boa exposição solar ou em último caso, um situação de meia-sombra.

São muito interessantes como adubos verdes pois adaptam-se vários tipos de solos e contribuem para melhorar a sua estrutura e propriedades.

adubos verdes trigo encarnado

Facélia

A Facélia é uma cultura herbácea anual que é muito conhecida no mundo da apicultura dado que se caracteriza por ser uma planta muito melífera.

As suas flores, além de muito bonitas, são responsáveis por produzir polén e néctar com uma qualidade inconfundível.

Esta cultura é responsável por fazer o “aporte” de grandes quantidades de azoto para o solo além de que contribui eficazmente para melhorar a sua estrutura e composição.

Como característica diferenciadora, a facélia é capaz ser ressemeada facilmente no ano seguinte.

adubos verdes facelia

Processo de utilização dos adubos verdes

Sementeira

Para que a prática da adubação verde corra como esperado é necessário ter em conta qual a melhor época para semear e posteriormente incorporar. A época de sementeira dos adubos verdes deve ter em conta as características das plantas escolhidas para o efeito, a dose de semente de acordo com os valores sugeridos e a profundidade de sementeira ( que deve ser diretamente proporcional ao tamanho da semente).

Além disso, é necessário ter em conta se é necessário adubar o adubo verde (sim, leu bem). Esta prática é especialmente importante em solos muito pobres em nutrientes como o fósforo e o cálcio, sendo necessário proceder a uma adubação fosfatada de forma a incrementar a fixação biológica de azoto e quantidade de massa verde produzida.

Incorporação do adubo verde

Para incorporar, deve ter em consideração qual a fase do ciclo cultural do adubo verde mais adequada para uma maximização de resultados. Se o objetivo é adubar a próxima cultura, deve cortar a cultura usada como adubo verde no final da fase da floração. A partir deste momento, a fixação biológico do azoto termina e parte do azoto fixado acaba por migrar e concentra-se maioritariamente nas sementes, diminuindo a sua capacidade de adubação.

Tenha em consideração que grande parte dos agricultores ainda faz a adubação verde, cortando e enterrando posteriormente o adubo verde.

Nestas situações, deve utilizar um máquina agrícola como um corta-mato ou destroçador de forma a facilitar o trabalho. Deixe o adubo verde produzido secar pelo menos durante um período de 3 a 4 dias e posteriormente enterre-o no solo.

Saiba que não deve enterrar o adubo a uma profundidade muito elevada pois pode dificultar o trabalho dos microrganismos decompositores existentes no solo, o que pode prejudicar todas as vantagens inerentes do processo de adubação verde.

Espero que este artigo vos tenha sido útil e que compreendam mais facilmente o papel dos adubos verdes 🙂

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