Descubra como usar as algas para controlar as pragas nos seus cultivos

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O ataque de pragas, sejam insetos, fungos ou outros organismos nocivos trazem grandes prejuízos para os produtores. Quando tal acontece, recorre-se maioritariamente ao uso de pesticidas químicos e sintéticos para erradicar estas pragas. Ora, nas últimas décadas, tem sido investigada a possibilidade de substituir os pesticidas químicos por fontes naturais, como, por exemplo, as algas. Fique a saber mais neste artigo, sobre como utilizar as algas como pesticidas naturais para controlar pragas.

Para além de serem excelentes fertilizantes do solo, as algas contêm determinadas moléculas biologicamente potentes contra ataques fúngicos, bacterianos e virais, promovendo a resistência nos cultivos onde são aplicadas. Por exemplo, uma das algas mais conhecidas das nossas praias, a Ascophyllum nodosum (algas castanhas), produz um hidrato de carbono, chamado laminarina, que é capaz de ativar a defesa natural das plantas contra infestantes. Para além dos hidratos de carbono as algas têm compostos próprios como hormonas, vitaminas e antioxidantes responsáveis por diversos mecanismos de defesa. 

Como controlar pragas usando algas

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Ascophyllum nodosum (algas castanhas)

São vários os estudos que demonstram o aumento da resistência de diferentes cultivares contra diferentes patogénicos após aplicação de extratos de algas, principalmente extratos de algas vermelhas e castanhas.  

Por exemplo, um extrato líquido de algas marinhas pulverizado semanalmente em nabos (Brassica rapa L.) e morangos (Fragaria × ananassa), controlou a propagação dos fungos responsáveis por doenças graves nestes cultivares. No caso dos nabos, o extrato líquido de algas permitiu controlar a propagação de vários fungos responsáveis pelo oídio nas folhas dos nabos (doença conhecida por um pó branco nas folhas). Já nos morangos, as algas conferiram resistência contra a proliferação do fungo (Botrytis cinerea) responsável pela podridão cinzenta do fruto. 

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Botrytis cinerea no morango

Outro efeito muito interessante da aplicação de algas, neste caso, sargaço, foi observado na laranjas (Citrus × sinensis). Um extrato líquido destas algas aplicado sobre as folhas das laranjeiras permitiu controlar o greening das laranjas, doença provocada pelos insetos Diaphorina citri (Psilídeo) deixando as folhas, principalmente dos citrinos, amareladas. O extrato foi preparado triturando 2 kg de algas já secas com 2 L de álcool. Após filtração, o extrato foi colocado ao ar para deixar o álcool evaporar e seguidamente cerca de 2 g de algas foram misturadas com 1 L de água e aspergidas nas folhas das laranjeiras.    

Também o tratamento da planta do algodão (Gossypium L.) com um extrato líquido de sargaço através de aplicação foliar de 10 em 10 dias após semeadura ao longo de 30 dias permitiu controlar o crestamento bacteriano. Esta doença provocada pelas bactérias Xanthomonas campestris é caracterizada por pequenas manchas e buracos nas folhas.  

 Já em espinafres (Spinacia oleracea), a aplicação de um extrato de algas castanhas permitiu aumentar o teor de compostos antioxidantes deste vegetal protegendo-os contra os nematódos Caenorhabditis elegans. As algas castanhas já secas e em pó foram dissolvidas em água numa concentração de 1 g por cada litro e usadas para regar os espinafres. 

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nemátodos Caenorhabditis elegans

A aplicação de extratos de algas em relva numa concentração de 16 mg por m2 também demonstrou despoletar resultados positivos quer no crescimento da relva de forma saudável quem protegendo contra o aparecimento de relva castanha, doença causada pelo fungo Clarireedia homoeocarpa

Como controlar pragas em pepinos e cenouras com algas

Pepinos (Cucumis sativus) tratados com extratos de algas castanhas aplicados através de aspersão e rega demonstraram melhor resistência contra diversos patogénicos, pois o extrato aplicado melhorou a resistência do pepino provavelmente devido à indução de compostos e mecanismos internos de defesa. 

Nas cenouras (Daucus carota) a aplicação foliar de extratos de algas castanhas numa concentração de 2 g por cada litro de água, nas plantas após 10 e 20 dias a seguir à semeadura permitiu controlar a propagação do fungo causador da podridão de muitas frutas e vegetais, o Botrytis cinerea. 

Um outro estudo mostrou que a aplicação da alga castanha, Soleria robusta, no solo destinado ao cultivo de soja (Glycine max), reduziu consideravelmente a infeção por nemátodes comparando com as plantas de soja cultivadas em solo sem tratamento com algas. 

 

Extratos de algas castanhas são de facto os mais utilizados para melhoramento das culturas, muito devido à sua maior disponibilidade. 

como controlar pragas com algas

Apesar de receberem menor atenção, também as microalgas, especialmente as cianobactérias, são capazes de controlar biologicamente a propagação de pragas na agricultura. As cianobactérias produzem polímeros extracelulares, principalmente polissacarídeos, com conhecidas atividades fungicidas e bactericidas. 

Como controlar pragas nas cebolas e curgete com algas

Por exemplo, nas cebolas (Allium cepa) a aplicação foliar das cianobactérias, N. muscorum e Oscillatoria sp, em meio líquido, reduziu o crescimento do fungo Alternaria porri, responsável pela mancha púrpura das cebolas. 

Na curgete (Cucurbita pepo) foi testada a aplicação de um extrato aquoso das cianobactérias, Anabaena sp., algas comumente encontradas em lagos, contra o oídio. De facto, a aplicação foliar destas algas nas folhas permitiu reduzir a esporulação e a área infetada pelos fungos causadores do oídio. 

Controlar pragas nos tomateiros com algas

Um outro estudo que reflete a eficácia da aplicação das Anabaena sp. foi realizado no tomateiro (Solanum lycopersicum). Desta vez, extratos líquidos destas cianobactérias foram aplicados no solo de crescimentos dos tomateiros. Verificou-se que a rega dos tomateiros com este extrato evitou o murchar dos tomateiros comparativamente com os que não tinham levado nenhum tipo de tratamento. 

A aplicação de um extrato líquido de uma outra variedade de cianobactérias, Anabaena flos aquae, na planta do algodão permitiu controlar a proliferação da larva, Spodoptera littoralis, responsável por comer a planta. O extrato das cianobactérias promoveu a destruição dos ovos das larvas evitando o crescimento e desenvolvimento deste inseto.

De uma forma geral, a aplicação de cianobactérias em sementes e rebentos impede o tombamento, doença causada por vários patógenos diferentes que matam ou enfraquecem sementes antes ou depois de germinarem. 

A aplicação de algas para controlar pragas

A aplicação de algas também evita a proliferação de diversos fungos/patogénicos do solo e, consequentemente, protege os cultivares no solo instaladas. 

Há muitos outros estudos que demonstram que os insetos, naturalmente, se afastam de plantas tratadas/cultivadas com algas.   

Numa altura em que é cada vez mais importante substituir o uso de pesticidas químicos devido aos efeitos nocivos quer para o ambiente quer para os humanos e animais, as algas surgem assim, como uma alternativa segura e eficaz e que merece e carece de explorações futuras. 

Podes consultar mais sobre os estudos apresentados nas seguintes hiperligações:

https://doi.org/10.1016/j.algal.2021.102200 

DOI: 10.5897/AJB11.3983

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